C.H.U.D. se mantém como terror essencial dos anos 80

Descubra por que C.H.U.D., o terror camp dos anos 80, continua sendo uma obra essencial com sua atmosfera sombria e crítica social.
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Lançado em 1984, C.H.U.D. é um filme de terror e ficção científica urbana que se destaca pela sua atmosfera suja e pela forma como aborda o medo do “lixo tóxico”. Diferente de outras produções da época, o filme não se apoia em piadas, mas sim em um sentimento de apreensão sobre o que se esconde sob a superfície da cidade.

O filme explora o desaparecimento de moradores de rua em Nova York, um problema que as autoridades ignoram. A ameaça vem de baixo, dos Cannibalistic Humanoid Underground Dwellers, ou C.H.U.D.s, criados pela negligência governamental e resíduos radioativos. A obra constrói seu horror naquilo que as cidades preferem enterrar.

Monstro de C.H.U.D. atacando em cena do filme.
Imagem via New World Pictures

A Ambientação Sombria de Nova York

O cenário de Nova York em C.H.U.D. não é idealizado, mas sim retratado como uma cidade sombria e hostil. As filmagens em becos reais contribuem para a autenticidade, transmitindo a sensação de um ambiente sujo e perigoso, onde ratos parecem conspirar e o concreto úmido exala um ar gélido.

A atuação do elenco, incluindo John Heard como o fotógrafo George Cooper e Daniel Stern como o reverendo A.J. Shepherd, operador de uma cozinha comunitária, é notável pela seriedade com que interpretam seus papéis. Eles acreditam no pesadelo que o filme apresenta, o que, por sua vez, convence o público.

Christopher Curry e Daniel Stern investigando os C.H.U.D.s.
Imagem via New World Pictures

Paranoia e Efeitos Práticos

Apesar dos efeitos especiais que remetem à borracha, característicos da época, C.H.U.D. se sustenta pela seriedade com que o mundo ao redor é tratado. A atenção aos detalhes, como tijolos sujos e luzes piscando, cria uma atmosfera crível que faz os monstros funcionarem.

O filme funciona como uma cápsula do tempo, mostrando uma Nova York diferente daquela vendida em cartões postais. A autenticidade do ambiente, com o cheiro de concreto molhado e o frio dos túneis, reforça a presença dos monstros, mesmo quando os efeitos especiais mostram suas limitações.

Um C.H.U.D. do filme C.H.U.D.
Imagem via Collider/New World Pictures

Crítica Social e Legado

Por trás da trama de monstros, C.H.U.D. oferece uma crítica social sobre como as cidades lidam com seus problemas, literalmente empurrando-os para debaixo da terra. As criaturas não são invasores alienígenas, mas sim o resultado do descaso e da negligência.

O filme demonstra que monstros não surgem do nada, mas são criados pelas circunstâncias. Sua influência pode ser vista em obras posteriores como The Descent, Mimic e até mesmo em Us de Jordan Peele, com sua temática de pessoas esquecidas.

John Heard e Kim Greist em uma cena de C.H.U.D.
Imagem via New World Pictures

C.H.U.D. é um lembrete de que o camp e o comentário social podem coexistir. O filme não se desculpa por ser estranho e prova que, às vezes, um mutante brilhante saindo de um esgoto diz mais do que um discurso formal. É uma obra essencial para fãs de B-movies, um filme de terror peculiar e afiado que continua relevante.

Fonte: Collider

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