Ken Burns: Revolução Americana é série essencial sobre a fundação dos EUA

Ken Burns lança ‘The American Revolution’, uma série documental essencial sobre a fundação dos EUA. Explore a história com precisão e profundidade.
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Ken Burns, um nome consagrado no cinema documental há mais de 40 anos, mergulha na história americana com sua nova obra, The American Revolution. A série documental de seis episódios explora o conflito que deu origem aos Estados Unidos, separando-o do controle colonial da Grã-Bretanha. É surpreendente que Burns só agora aborde este momento seminal, mas a produção chega em 2025, ano que também revisita a fundação do país com Kevin Costner’s The West. A série da PBS é uma leitura obrigatória para todos, pois o passado ilumina o presente e o futuro.

Ken Burns apresenta ‘The American Revolution’, um tratado épico sobre a fundação da América

Pintura clássica exibida em 'The American Revolution' de Ken Burns

Imagem via PBS

Com cerca de 12 horas de duração, distribuídas em seis episódios, The American Revolution, dirigida por Sarah Botstein e David Schmidt, narra desde os primórdios da América colonial em 1754 até 1780 e além. O foco central é a assinatura da Declaração de Independência e a luta pela vida, liberdade e busca pela felicidade contra a Grã-Bretanha. Como é característico de Burns, a série apresenta uma narrativa caleidoscópica, abordando todos os aspectos desse período crucial: generais militares, políticos, escravos negros marginalizados e nativos americanos. Narrada por Peter Coyote, a produção conta com um elenco estelar para dar voz às figuras históricas, incluindo Samuel L. Jackson, Claire Danes, Paul Giamatti (retomando seu papel como John Adams), Jeff Daniels, Morgan Freeman, Tom Hanks, Meryl Streep e muitos outros.

Apesar de sua vasta abrangência e pesquisa minuciosa, The American Revolution aborda seu denso tema com eficiência. Uma série documental de 12 horas poderia parecer redundante, mas Burns mantém um ritmo conciso. A inclusão mais notável é o foco nos afro-americanos, muitos em condição de escravidão, e nos nativos americanos, já em conflito com colonos brancos. Esses arcos, que correm paralelamente à Revolução Americana, formam a estrutura tríade de Burns, que, embora por vezes extensa, é essencial para a discussão. A série trata esses grupos com um olhar nuançado, abordando suas questões com a mesma seriedade do conflito entre EUA e Grã-Bretanha, mantendo uma perspectiva crítica sobre o lado americano sem exageros.

Precisão calculada: Ken Burns narra a história da América em ‘The American Revolution’

The American Revolution é uma comparação digna com Kevin Costner’s The West ou qualquer outro documentário sobre a Fronteira Americana e a fundação dos Estados Unidos. Enquanto o nascimento da maioria dos países é abstrato, a América possui uma história de origem clara, ensinada desde cedo. As disputas políticas iniciais sobre impostos e representação, que levaram a derramamentos de sangue, tornaram-se uma lenda transmitida entre gerações.

Com inúmeros edifícios, ruas e monumentos nomeados em homenagem aos Pais Fundadores, este período tem um peso significativo na vida cotidiana e na estrutura do governo americano. Como em qualquer obra do gênero, ficcional ou não, o aparato histórico da Revolução Americana glamoriza os rebeldes coloniais como heróis. No entanto, Burns sublinha a natureza complexa das origens americanas com uma direção franca e imparcial, apoiada por historiadores renomados.

Estilisticamente, a série exibe o que se espera do principal documentarista americano. O influente “efeito Ken Burns”, um zoom lento em fotos estáticas, está presente, acompanhado por uma trilha sonora orquestral suave e atenção meticulosa aos detalhes. O uso de locais reais e marcos históricos confere um componente aventuresco à docussérie. Burns demonstra um amor particular por documentos de arquivo e fontes primárias, que a câmera explora com precisão, enfatizando que a história foi definida pela escrita.

‘The American Revolution’ é um lançamento oportuno que reflete nosso clima político

O exército britânico em batalha em 'The American Revolution'

Imagem via PBS

The American Revolution chega em um momento crítico. Eventos como a Corrida da Meia-Noite de Paul Revere e a Festa do Chá de Boston são ícones da unificação americana, mas o país está longe de ser unificado atualmente. A reverência pela Revolução Americana parecia inabalável, mas os últimos 10 anos mostraram o quão divisivos até os assuntos mais triviais podem ser. Burns, com sua abordagem analítica, atua como um mediador ideal entre os lados polarizados da cultura americana. Ele apresenta os fatos dessa saga como uma descoberta recente, em vez de um evento amplamente estudado.

A glorificação da Guerra Revolucionária, por ter 250 anos, é mais digerível publicamente, não carregando as conotações do nosso clima político atual. Ainda assim, Burns se recusa a cair em jingoísmo, como evidenciado ao destacar o tratamento histórico dos povos indígenas e sua participação no comércio de escravos. A série, embora politicamente distante em sua construção narrativa, não parece um lançamento acidental. Detalhes como a derrubada de estátuas por patriotas, a vacinação obrigatória contra varíola por George Washington e mulheres se passando por homens para combater, ressoam com questões atuais.

Em última análise, a América, desde suas origens como 13 colônias até hoje, é um país cíclico. Evoluímos muito e permanecemos estagnados simultaneamente. Espera-se que a nova obra épica de Ken Burns, The American Revolution, ajude a esclarecer a perenidade de nossos ideais e valores, rejeitando a noção de divisões geracionais. Afinal, todos lutamos a mesma guerra.

Fonte: Collider

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